Jogos Tradicionais 

criado por Gabriel Gonçalves Freire

Colaboradores

Daniel Guerrini

ELÁSTICO

Percebe-se que atualmente o jogo do Elástico é pouco vivenciado pelas crianças, apresentando a necessidade de práticas sociais que o reconstruam. Entre as práticas sociais que podem reconstruir o jogo do elástico estão as aulas nas escolas de Educação Básica, nos encontros pedagógicos promovidos pela Educação Física.

 

   Assim, a Educação Física por ser a área de conhecimento que assumiu historicamente o ensino do conteúdo Jogos, precisa contribuir com o ensino e aprendizagem do jogo de elástico. Nesse processo, ressalta-se a interação das gerações mais experientes que tinham o jogo do elástico como prática cotidiana e as gerações que pouco ou nunca o vivenciaram.

 

 

Possível Origem

     O jogo do elástico possuí origem desconhecida. Não se sabe quem o criou, tampouco o contexto e o tempo em que os primeiros saltos entre o elástico foram realizados. Por se tratar de uma manifestação cultural que se utiliza do material “elástico”, tem se a ideia que o jogo surgiu somente após a invenção do próprio material.

  Nesse sentido, identifica-se na literatura que Stephen Perry em 1845 inventou o elástico. Quase 100 anos depois, em 1940 foi registrado a prática de uma atividade utilizando o elástico (SANTOS, 2009). Provavelmente, os primeiros saltos em cima do elástico, as regras e objetivos originaram nesse período.

Organização do jogo: regras, formatos e objetivos

     De modo geral, o jogo do elástico é organizado em fases, das quais cada uma possuí sequências de movimentos e nomenclaturas próprias. O objetivo é chegar até a última fase (sequência de movimentos). 

    A posição básica dos jogadores é da seguinte forma: dois ficam um de frente para o outro a uma distância de dois metros aproximadamente, interligado por um elástico entre as pernas, especificamente nos tornozelos (figura a baixo). Os demais jogadores ficam perto, para fora do elástico organizados em fila ou da forma que encontrarem ser a melhor para prosseguir respeitando a vez de saltar de cada um.

 

   

   A altura do elástico também é aumentada conforme o avanço no jogo. Geralmente, os mesmos movimentos são realizados com o elástico mais alto (canela, joelho, coxa, cintura). 

    Por se tratar de um jogo tradicional de fases, o elástico possuí variações tanto nas sequências (fases 1, 2, 3...) quanto no nome e nos movimentos a ser realizados. Assim, verifica-se abundância quanto ao número e formas das fases.

    A falta de registros sobre as possíveis fases existentes faz com que sejam necessários momentos nos quais os jogadores não só pratiquem-nas, mas também passem a registrar e a ensiná-las aos jogadores mais novos. Pela falta de registros, o jogo do elástico é um dos jogos tradicionais que mais varia a sua forma de ser, destacando a subjetividade de cada grupo social e indivíduos praticantes.

  Reitera-se que as aulas de Educação Física são espaços pedagógicos privilegiados para que tais registros das fases do jogo elástico aconteçam. A seguir, são apresentadas algumas sequências de movimentos realizadas por estudantes de um quinto ano de uma escola municipal em Cambé-PR no ano de 2016.

 

 

 

 

 

 

   Percebe-se que as sequências de movimentos apresentam características próprias, cada uma exigindo ações de saltos diferentes, além de giros em algumas delas. O jogo de elástico, a partir das sequências vivenciadas e criadas pelos próprios jogadores, vem se apresentando com uma prática cultural que possibilita atuação significativa dos participantes em seu desenvolvimento. Por isso, é um jogo que dificilmente apresentará as mesmas fases e nomenclaturas em locais distintos, mesmos próximos, como ruas, bairros. 

 

REFERÊNCIAS:

 

SANTOS, Gisele F. de L. Origem dos Jogos Populares: em busca do “elo perdido”. IV Congresso Norte Paranaense de Educação Física Escolar (CONPEF). Londrina: UEL, 2009